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Snowmobile e Tour de Rena na Lapônia

Para a minha viagem até a Lapônia ficar (quase) completa, nada mais conveniente do que criar coragem e me aventurar a ser puxada por uma rena!

Existem várias agências de turismo na Lapônia que oferecem pacotes dos mais variados tipos e com muitas opções de passeios. Pelo que eu percebi, um dos mais populares, sem duvida, é o tour das Renas seguido pelo tour de Huskies.

Elas são tããão quietinhas…

Antes de qualquer coisa, alguns pontos importantes:

– a reserva e pagamento podem ser feitos pelo site oficial de cada empresa (os países nórdicos não perdem em nada pro UK quando o assunto é facilidade);

– se a reserva foi feita por email, como foi o meu caso (eu ainda não estava totalmente convencida de que iria ter coragem de fazer um tour desses), o pagamento deve ser feito em dinheiro ou cartão de crédito antes do tour começar;

– no momento da reserva, podemos escolher se a empresa passa nos pegar no hotel ou se nos vamos até o escritório da empresa (como estamos em Rovaniemi e não em Nova York, uma caminhadinha na neve foi até bem-vinda (ou seria: bem divertida?), e acabei optando por ir até lá). É bom chegar com uns 30 minutos de antecedência;

– depois de fazer o pagamento, fui encaminhada para uma sala que mais parecia um guarda roupa gigaaaante, com todos os tamanhos imagináveis de macacões, botas, luvas, toucas, cachecóis e capacetes existentes nesse mundo!!

– vi qual o tamanho que era mais apropriado pra mim, mas não quis trocar de roupa lá não. Como não haviam armários com chaves para deixar minhas coisas (roupas, bolsa com documentos e meu passaporte), optei por levar as roupas pro frio dentro de uma sacola e somente quando chegamos para fazer o tour, coloquei o macacão por cima de tudo;

– o tempo todo estavamos acompanhados de um guia, ou no caso do grupo em que eu estava, de dois guias, pois haviam 3 crianças nesse tour.

Dito isso, agora sim…

Basicamente esse safári vai um pouco mais além do que um simples passeio de Rena, junto nesse pacote que escolhi está incluido também andar de Snowmobile. Então, como haviam crianças nesse tour, seguimos com uma van até uma área enooorme ao ar livre onde estavam alguns snowmobiles.

Lá tivemos uma aulinha rápida de como manusear o snowmobile e algumas regras de segurança também.

O guia assustou tanto, dizendo que deveriamos ter o maior cuidado com os snowmobiles e blablabla, que cada parte custava não sei quantos mil euros, que a essa altura, eu já tava quase desistindo de tudo!! hehehehe

Agumas pessoas não se importaram de sair de lá dirigindo seus snowmobiles. No meu caso, eu preferi atravessar a rodovia num carrinho puxado pelos guias, e pegar o meu snowmobile somente do outro lado da estrada (na verdade, a essas alturas eu tava era morrendo de medo de encostar no tal snowmobile) .

Imagine uma derrapadinha na neve ou se simplesmente alguma coisa acontecesse errado, eu teria que ligar pra casa e… “Mãe, deposita uns 15 ou 20 mil euros na minha conta, pq acabei de destrui um snowmobile na Lapônia. Vc consegue fazer esse deposito ainda hoje?”

Mas delírios à parte, um dos guias era bem gente boa e me tranquilizou, repetiu todos os comandos de segurança comigo e só assim criei coragem…

Lá vem euuuuuuu

Graças a Deus nada aconteceu, e depois dos primeiros 5 minutos de pânico, o resto é como andar de bicicleta..  Bem tranquilo!

Por questão de segurança, o guia não permite que seja ultrapassada a velocidade de 40 km/h, e sempre andamos em filas, mantendo uns 2 metros de distância uns dos outros.

Quando chegamos na fazenda das Renas, eu já estava praticamente congelaaada, mesmo com toda aquela roupa especial pro frio, e isso que nem tava tããão frio assim, a temperatura estava por volta de -9 graus (o normal nessa época é fazer uns -30 graus)!

Trajes dos nativos da Lapônia, os Samis

Uma das coisas que eu mais gostei, é que tivemos uma degustação de umas bolachinhas tipicas e chá de cloudberry ao redor de uma fogueira, dentro de uma tendinha tradicional do povo Sami, bem bonitinha por sinal!

As histórias dos nativos da Lapônia são super interessantes, numa pequena “aula” de uns 30 minutos deu pra aprender muita coisa..

Como por exemplo, que eles tem um parlamento próprio, onde eles mesmos tomam suas próprias decisões, e assim conseguem manter bem forte sua cultura e idioma!

Mas a parte mais legal de todas, na minha opinião, foi ver uma cerimônia típica que explica a relação de respeito que eles tem com a natureza e o seu típico chapéu de quatro pontas.

A encenação

O tour das renas é bem rapidinho. Na verdade o que demora um pouco mais são as instruções de como “dirigir” a Rena, que tem todo um esquema com umas cordinhas, e nem preciso dizer que isso acabou com os meus planos de bater algumas fotos… ou eu segurava a camera ou as cordinhas, não teve jeito!!

Não dá pra chegar muito perto, elas são quietinhas e muuuito atentas!

Um fato curioso e que chama atenção, é que algumas Renas estão sem um par dos seus chifres. Isso acontece todos os anos, no periodo de inverno, elas perdem seus chifres espontaneamente!

Então não se espante ao ver uns chifres de enfeites por ai, ou alguns até são usados como maçaneta (na ultima foto desse post)!

E pra terminar mesmo a visita, essa familia que é dona dessa fazenda de Renas, nos mostra um videozinho (no maior estilo National Geographic) sobre toda a região da Lapônia, o clima frio, as paisagens cobertas de neve, o cuidado com as renas e pq não, até o Papai Noel faz uma aparição!

Ahhh, mais algumas considerações importantes:

– existem várias empresas (mas não são muuuuitas) e com exceção do tour de renas que acontecem todos os dias, todos os outros tours acontecem apenas 2 ou 3 vezes por semana.

– dependendo dos tours e da empresa escolhida, a viagem deve ser totalmente montada baseada nessas informações;

– em cada tour podem se inscrever entre 10 a 15 pessoas. Na época de Natal, é grande o número de familias inteiras fazendo os passeios, o que significa que alguns podem se esgotar rapidamente. O aconselhavel é reservar tudo, com pelos menos, 1 mês de antecedência.

Ah, e no final, ainda recebemos uma licença internacional de motorista de rena!

Para ver todos os outros posts sobre a Lapônia, é só clicar aqui.

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Atravessando o Circulo Polar Ártico

Se alguém algum dia me dissesse que eu iria chegar no Círculo Polar Ártico, eu iria chamar de louco! Depois dessa viagem, não teve uma pessoa que não tenha dito que na verdade a única louca era eu!!

2011 foi um ano extremamente atípico pra mim, primeiro foi a Islândia, um local fora do comum, completamente diferente de tudo que já tinha visto até então.

E em questão de alguns meses, lá estava eu, me aventurando em um outro lugar tão ou mais diferente, a região da Lapônia!

Logicamente que estive nesses dois lugares em estações do ano completamente diferentes, na Islândia fui no verão (que nem era tããão verão assim) e na Lapônia, pra ter graça, na minha opinião, o ideal era ir no inverno.

Engraçado como nesse ano tudo acabou acontecendo da forma como eu tinha planejado!

E quem nunca ouviu falar na latitude 66º 32’ 35″?!?!??! É justamente por onde passa a linha imaginaria do Círculo Polar Ártico.

Essa linha fica ao norte da cidade de Rovaniemi, passando dentro da Vila do Papai Noel, e inclusive passa pelo aeroporto!

Mas afinal de contas, o que é o Circulo Polar Ártico? Além de ser o nome de uma das linhas imaginárias que cortam o nosso planeta em partes, ele tem duas “caras” dependendo da estação.

Se for inverno, o sol não passa da linha do horizonte durante as 3 a 4 horas que se tem luz natural nessa época. Já no verão, o sol fica o tempo todo acima da linha do horizonte, fazendo com que durante esses meses, não exista noite, até pode ficar menos claro, mas totalmente escuro nunca.

E no momento em que eu estava cruzando essa linha, fiquei pensando… talvez esse seja o lugar mais longe onde já coloquei meus pés (isso se um dia eu ainda não for até a Groelândia ou Alaska)!

E eu acabei entrando na onda e achei que seria legal ter uma recordação desse momento.. e com isso agora tenho um carimbo no meu passaporte, dizendo que eu atravessei o Círculo Polar Ártico.

E nem em sonho, eu um dia sequer, imaginei que isso iria acontecer!!! =)

Finlândia (Helsinki + Lapônia) e Estônia

Um certo dia, assistindo ao Jornal do Almoço, vi uma reportagem sobre um concurso realizado pela rede RBS TV, e o prêmio: uma viagem para a Lapônia!!! Desde então, mesmo quando eu ainda estava sonhando em fazer o tal intercâmbio, um destino eu tinha certeza que iria conhecer: Finlândia!

Finalmente essa viagem aconteceu, digo “finalmente”, pq até ela de fato acontecer tem muita história!!!

Helsinki

Chegando em Edimburgo, em agosto de 2010, uma das primeiras coisas que fiz foi comprar a passagem pra Helsinki. As opções partindo da Escócia não eram muitas, e nenhuma empresa operava voo direto, então o que me restou foi escolher se faria escala em Londres ou em Copenhagen. Não tive a menor dúvida, e acabei escolhendo Londres, comprando todos os trechos com a British Airways.

Quem acompanhou o caos que a nevasca inesperada causou em todo o Reino Unido em dezembro de 2010, deve lembrar que o Aeroporto de Heathow ficou fechado por quase uma semana.

Mas o que tudo isso tem a ver com a minha tão sonhada viagem a Finlândia? TUDO!! Essa nevasca aconteceu exatamente na semana que minha viagem estava marcada, ou seja, voo cancelado, e sem a menor chance de chegar até Londres, quem diria até Helsinki.

Acabei me conformando, que talvez não fosse a hora ou que talvez a Lapônia ainda fosse um destino muito “cru” (sem muitas informações), ou que talvez q minha viagem não seria tão legal como eu imaginava, ou que talvez a melhor opção teria sido a Dinamarca, ou que simplesmente, eu não tive sorte. Em resumo, o sonho apenas foi adiado!

Tallinn

Em abril do ano passado, depois de renovar o visto e voltar à  Edimburgo, a primeira coisa que fiz: comprar a passagem pra Helsinki novamente, mas dessa vez com a Finnair, empresa da Finlândia (e comecei a rezar pra que a neve não atrapalhasse os meus planos, é claro! Os 10 meses de reza funcionaram hehehe)

Em 11 de dezembro de 2011, embarquei para Helsinki, finalmente!

E o roteiro ficou assim:

– Edimburgo, escala (de muitas horas – no minimo umas 6 horas – pra não correr nenhum risco) no Aeroporto de Heathow (Terminal 3), em Londres (que foi alterado de ultima hora) e Helsinki;

– 3 dias em Helsinki,

– 1 dia em Tallinn (que está inclído nos dias em que fiquei em Helsinki);

– 4 dias na Lapônia;

– 1 dia em Helsinki, somente pra dormir e no outro dia pegar o voo de volta pra Edimburgo.

Lapônia

A idéia de incluir a Estônia no roteiro, veio por influência da minha vizinha, que morou 1 ano na Finlândia e disse que Tallinn (assim como São Petersburgo)  era im-per-dí-vel! No ínicio até achava que seria impossível encontrar informações pra chegar lá, de barco, como ela tinha me sugerido. E pra minha surpresa, eu estava completamente enganada, achei 3, 4 ou até mais blogs que descreviam exatemente tudo o que eu precisava pra chegar até lá!

A Finlândia é um destino extremamente caro (comparado com os demais países nórdicos, talvez fique bem próximo da Noruega), principalmente quando se inclui a Lapônia.

Mas sonho é sonho, e de que vale a vida se não realizarmos os sonhos, não é mesmo?!?!?!

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