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Um pouco de Belfast e Titanic Walking Tour

A Irlanda do Norte é um destino cheeeio de coisas pra fazer.. e no meu ultimo dia em Belfast, duas coisas eu não poderia deixar passar batido: o City Hall e o Tour do Titanic! Depois do chuvão de sábado a noite, por sorte no domingo o dia amanheceu super bonito, com direito a sol e tudo mais!

Fiz o check-out no hotel e fui caminhando até o City Hall, um dos símbolos da cidade. E todos aqueles adjetivos que são usados pra descrever esse lugar não é exagero não, muito pelo contrário, são até modestos. O edificio ocupa a Donegall Square por completo. Seu estilo eduardiano e sua cúpula em tom esverdeado são realmente lindíssimos!

No dia que fui visitar, como era um domingo (nos feriados também não abre), infelizmente esse é o unico dia que os tours não acontecem! Eu não tinha outra opção, o jeito foi me conformar. Por sorte tive pelo menos acesso aos jardins e pude caminhar um pouco por ali. São muitas estátuas, mas sem duvida o destaque fica por conta do monumento a Rainha Victoria, que fica bem em frente a entrada principal.

Saindo dali, segui pela High St até chegar na Victoria St para ver o Albert Memorial Clock Tower, que como o próprio nome sugere, é uma bela torre com um relógio no topo que homenageia o Principe Albert. Sofreu alguns danos por causa de alguns ataques do IRA, mas nada que danificasse muito a contrução, apenas ela é nitidamente um pouco torta!

Passei por muitas lojinhas de souvernir…

Caminhei pelo calçadão a beira do rio Lagan..

E ainda vi a estátua Beacon of Hope, que fica na Thanksgiving Square..

Caminhei também pela area revitalizada chamada de Titanic Quarter. O lugar é bem moderninho, com um calçadão a beira do rio Lagan e atualmente muitos prédios residenciais estão sendo contruido.

É uma area super bonita e agradável, até faz a gnt esquecer que estamos em Belfast, pq não vemos nenhum dos murais politicos nessa região.

A iidéia de dar o nome Titanic Quarter a esse lugar se deve ao simples fato de que antigamente nessa area ficava o estaleiro Harland and Wolff e foi onde o RMS Titanic foi construido!

Um pouco antes das 14:00, que era o horário que tinha feito a reserva para o tour Titanic Walking Tour, fui rapidinho pro Odyssey Arena, que assim como o O2 Arena em Londres, é um complexo esportivo multi uso, com cinemas e muitos pubs e restaurantes. Almocei por ali mesmo e um pouco antes das 14:00 horas fui ali na entrada principal, que era o local definido para começar o tour.

O tour pode ser reservado e pago pela internet através do próprio site. Existem apenas duas opções de horário, ou as 11:00 ou as 14:00, o tour, no total, tem duração de 2 horas e 30 minutos. Em questão de alguns minutos recebi no meu email um voucher com a confirmação da reserva e do pagamento. No dia do tour, apresentei o voucher e em troca recebi o ticket, que só serviu mesmo pra guardar de recordação.

O guia explicou rapidamente como seria a dinamica da caminhada e os lugares que seriam visitados e em questão de alguns minutos saimos para desbravar no Titanic Quarter todos os lugares relacionados com a história do Titanic.

Passamos por toda a extenção da area onde estão os famosos e gigantescos guindastes amarelos usados na construção dos navios no estaleiro da H & W…

A primeira parada foi no SS Nomadic, a sede do escritório onde o Titanic foi projetado. Antes de entrarmos, o guia disse que o nosso grupo ia ser o ultimo a ter acesso a visitar aquele edificio, ufa.. tive sorte!

O lugar estava completamente abandonado, porém nas paredes dava pra ter idéia de como aquele lugar um dia já foi muito movimentado.

Sala onde foi feito todo o projeto do Titanic

São muitas fotos da época em que o titanic estava ainda no papel, mais fotos do periodo da sua contrução e algumas fotos depois de pronto. Tivemos acesso, inclusive, a sala onde o megalomaniaco projeto foi colocado em executado!

No mesmo terreno, logo em frente, estavam construindo o modernissimo Museu do Titanic. Pelas fotos que o guia mostrou e por tudo que ele descreveu, fiquei imaginando como seria.. e não tenho duvida, vai ser um sucesso!

Quando eu fui, o museu ainda estava sendo construído..

Titanic Museum

O Museu foi construido e inaugurado esse ano, no dia 14 de abril. Vendo as fotos no site oficial, a construção ficou incrível! Além de contar a história do navio através de paineis explicativos desde a sua construção até encontrarem os seus restos no fundo do mar, ainda foram reconstruídas algumas partes do luxuoso navio, como por exemplo, as cabines e a grandiosa escadaria!

A grande escadaria

A parte externa do projeto também não passa batido, e o museu terá forma de 4 proas (com exatamente a mesma altura da proa original) ligadas. Demais, hein!?!?

Na entrada, ainda tem uma estátua, que recebeu o nome de Titanica, obra do escultor irlandes Rowan Gillespie.

Titanica obra do escultor Rowan Gillespie

Antes do tour terminar, fomos conhecer o Titanic’s Dock & Pumphouse. Ali o guia nos mostrou a doca enoooorme onde o navio foi construido, e contou também como foi feito o mecanismo da execução desse projeto, os testes com água e tudo mais.

O guia além de dar um show de conhecimento sobre o assunto, ainda tinha algumas cópias de documentos históricos pra ilustrar tudo da melhor forma possivel o que ele estava falando no decorrer do tour.. Super recomendado, o tour vale cada centavo pago!

E como eu tbm sou curiosa, fui procurar um videozinho que mostra um pouco do museu, tanto por fora, quanto por dentro.

Alguns dados sobre o Titanic:

– Foi uma das maiores tragedias maritimas que já aconteceu até então.

– Na época da sua construção, foi considerado o maior navio já construido no mundo;

– Capacidade para 2300 pessoas,

– Tinha 9 andares, o que se equipara a altura de um prédio de 20 andares e quanto ao comprimento, equivale a extensão de 4 quadras.

– Tinha 16 compartimentos que foram especialmente construidos para evitar que houvessem inundações. Naquela época possuia um comando que ia fechando os compartimentos conforme necessário, para que as demais areas do navio não sofressem inundações;

– A tragédia aconteceu no dia 14 de abril de 1912, a exatamente 100 anos atrás. O navio se chocou com um iceberg no Oceano Atlântico e afundou por completo em menos de 2 horas e 40 minutos.

– 100 anos depois, o que sobrou do Titanic ainda estão no fundo do mar, objetos e partes do navio que foram encontrados estavam totalmente enferrujados.

A Irlanda do Norte é surpreendente, eu diria. E Belfast, eu adorei.. um dia eu ainda quero voltar, com toda a certeza!

Obs.: as fotos do novo Museu do Titanic foram retiradas do facebook do site oficial.

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Tour pela costa da Irlanda do Norte!

Um outro tour que eu não poderia deixar de fazer na Irlanda do Norte é o que passa pela Causeway Coast, ou seja, pela costa norte do país.

Como eu não pretendia me aventurar a dirigir em mão inglesa, o jeito mesmo foi contratar um tour. Eu não conhecia nenhuma empresa, conversei com umas colegas de aula que já tinham ido pra lá e elas acabaram me indicando a Paddywagon.

Pela estrada…

Essa empresa tem muuuitas opções de tours que vão pra praticamente todos os lugares dessa ilha, inclusive existem tours de 1, 2, 3, 4, 5 ou 10 dias. Eu optei pelo tour de apenas um dia, chamado de 1 Day Giants Causeway & Derry Tour, com partida de Belfast.

Na hora de reservar o tour, temos que decidir entre 3 opções qual lugar pra eles nos pegar é melhor, e como eu não sabia onde ficam exatamente os outros dois lugares, acabei optando por sair em frente ao City Hall.

O ônibus era daqueles micro-ônibus, que estava lotado, nenhum lugar sobrando. Sentei ao lado de uma guria do Canadá e fomos conversando durante todo o passeio. Lá pelas tantas, conversando com ela, descobri que esse tour parte as 06:00 da manhã de Dublin, até chegar em Belfast, que segue até a Costa Norte. Nossa, que empenho!

O tour sai de Belfast as 09:30 da manhã e voltamos as 18:00. O valor do tour era de 18,00 libras na época, não sei se ainda continua o mesmo valor. Os ingressos para visitar os lugares não estão incluídos nesse valor, é claro!

O tour é bem animado, e enquanto vamos seguindo o trajeto o guia conta um pouco sobre a história do lugar e algumas curiosidades. E enquanto ele não está contando nada, são colocadas músicas tradicionais do país, super legal! Eu gostei de várias musiquinhas, nclusive acho que eles deveriam vender um cd no final do passeio!

Basicamente o nosso roteiro foi:

Primeira parada: Carrick-a-Rede Rope Bridge

O tempo que nós tinhamos para ficar ali era de 1 hora e 30 minutos, informou o guia antes que todos saissem do micro-ônibus. Depois de caminhar um pouco, uns 3 minutos, achei onde ficava o lugar para comprar o ticket. Pra visitar a ponte e atravessá-lá, temos que pagar. O valor é de 5,40 libras por pessoa.

Até chegar de fato na ponte, temos que andar por uma trilha de uns 20 minutos. A vista é lindíssima, os penhascos da costa da Irlanda do Norte são incríveis!!

Ao chegar na ponte, tem um rapaz que fiscaliza o ticket e nos deixa atravessar. Tem uma escada que dá acesso a ponte, inclusive o rapaz do ticket já avisa pra atravessar 2 ou 3 pessoas por vez. A travessia em si é bem rapidinha, a ponte não é muito comprida (20 metros de comprimento), e pra falar bem a verdade, dá até um medinho na hora de passar pro outro lado (30 metros de altura!!!). Aquele dia tinha um ventinho, que fazia com que a ponte balançasse bastante até.

Ao chegar do outro lado, na minuscula ilha de Carrick, podemos ver a ilha de Rathlin e até a costa oeste da Escócia. Demais!!! Nessa ilha em si não tem nada em especial pra fazer, o legal de ir até lá é justamente pra ver os cliffs da costa da Irlanda, e ainda de brinde, a cor da água do mar é um verde-azulado lindíssimo!

Na volta, fizemos o trajeto um pouco diferente, subimos por uma escada que ia até uma parte mais alta, que rendeu ótimas fotos!

Antes de entrar no ônibus, ainda tivemos tempo de comprar uma água e ir ao banheiro. Enquanto esperava o pessoal retornar, comecei a ler o folhetinho que recebemos junto com o ingresso e acabei descobrindo algumas coisinhas… A ponte é inteiramente feita com cordas. Acredita-se que essa ponte tenha sido construída para que pescadores da região pudessem criar salmões, a mais de 350 anos atrás. A criação de salmão ainda existe, porém em menor quantidade. Confesso que eu me surpreendi ao ter atravessado duas vezes aquela ponte, pq dá um medão, ah dá!!!

No caminho, entre a ponte e as Giant’s Causeway passamos pelo Dunluce Castle, mas a gente não tinha tempo pra visitar. Foi só uma parada pra tirar fotos. Na verdade, o castelo está em ruinas e o legal de parar pra ver ele, é que ele fica bem na pontinha de um penhasco com colunas de basalto, impressionante!

Segunda parada: Giants Causeway

Patrimônio da Humanidade, a Giant’s Causeway é um dos lugares mais bonitos e conhecidos do Reino Unido, inclusive já foi até capa de um cd do Led Zeppelin, alguém lembra??

Mas o que seria exatamente a Giant’s Causeway? Esse “monte de pedras” existem a milhões e milhões de anos, e o que mais desperta curiosidade são as suas formas.

Como o próprio nome sugere, é uma calçada formada por mais de 40 mil pedras gigantes de basalto de origem vulcânica. Algumas partes são mais achatadas, e algumas em forma de colunas. E realmente é impressionante! Fiquei me perguntando como aquilo ficou daquele jeito, pq por mais explicações que existam, parece que nenhuma faz muito sentido.

O guia nos deu tempo suficiente para caminhar tranquilamente por quase todo o lugar..

Caminhamos na beira dos penhascos..

Tinha até uma criação de ovelhas pelo caminho..

Vimos algumas outras formações de origem vulcanica..

Passamos por uma pequena praia..

E por fim, chegamos na calçada..

Enquanto lia sobre o assunto, antes da viagem, vi que algumas pessoas já se machucaram ao caminhar pela tal “calçada”, desde virar o pé, até quebrar o pé ou a mão. Então, como venta muito por aquelas bandas, o que pode ser um fator em potencial para o desequilibrio, todo o cuidado nessa hora é pouco!

Pra quem tiver preguiça de caminhar, existe um onibus que faz o trajetinho e te larga na frente da calçada. Eu só descobri isso, quando cheguei nas lojinhas de souvenirs, mas tbm não ia fazer diferença alguma se tivesse descoberto antes, pq eu queria mesmo era caminhar por ali e bater muuuitas fotos!

Terceira e última parada: Londonderry para os britânicos, mas também conhecida por Derry pelos irlandeses.

Londonderry é a segunda maior cidade da Irlanda do Norte, e mesmo ocupando essa posição, a cidade com os seus um pouco mais de 100 mil habitantes parece uma cidadezinha de interior. É a unica cidade do Reino Unido totalmente cercada por uma muralha e foi ali que aconteceu um dos capitulos mais tristes da história do país.

Até aqui, o tour estava indo super bem.. mas adivinhe? Quando coloquei meus pés em Derry começou a chover e como se não bastasse a chuva pra atrapalhar a minha vida, eu não tinha levado guarda-chuva, chovia muito forte!

Nosso tempo por lá era de 1 hora e meia e nós tinhamos duas opções: percorrer a cidade a pé sozinhos ou com um guia (pago, 4,00 libras). Eu preferi pegar o tour com o guia. E fiz certo!

Basicamente o tour foi assim: caminhamos uma boa extensão das muralhas, que diga-se de passagem estão em perfeitas condições, muito bem conservadas.

Derry, assim como Belfast, também tem os seus murais de carater político espalhados pela cidade. A Batalha de Bogside é considerado o primeiro grande conflito que deu origem aos chamados “Troubles”. Os católicos irlandeses, maioria na região, estavam sempre fazendo manifestações reprovando as ultimas decisões do governo britânico, e até que um belo dia, entraram em confronto direto com a policiais britanicos.

Esse confronto tomou uma enorme proporção, quando houveram rumores que os britanicos iriam atacar a Igreja católica de St. Eugene. Pra que né? O circo começou a pegar fogo.. e foram 3 dias infernais em Derry e o resultado final disso tudo?

O policiamento foi obrigado a recuar, muitas pessoas ficaram feridas e foi criada a área autônoma Free Derry. Free Derry era nada mais nada menos que dois dos bairros, massivamente habitado por católicos, que foram “isolados” do restante da cidade.

E pra terminar, chegamos no memorial que presta uma homenagem as pessoas que morreram durante a tragédia do Domingo Sangrento. O Bloody Sunday já foi até tema de uma música do U2, e retrata justamente mais um dos lamentáveis conflitos entre católicos e o exército britânico.

E o que mais chocou nesse massacre, foi que 14 pessoas, que não estavam armadas, perderam suas vidas de forma covarde. O exército britânico chegou atirando pra todos os lados e causando mais dor e sofrimento entre as familias dos católicos irlandeses.

Na volta para Belfast, cortamos caminho pelo interior do país, passando pelas maravilhosas paisagens que formam a cadeia de montanhas Sperrin.

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O Muro de Belfast

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O Muro de Belfast

Dos muitos lugares que eu queria conhecer na Europa, a Irlanda do Norte certamente era um deles. Mas confesso que na hora de comprar a passagem fiquei com uma tremenda duvida.. será que devo mesmo me aventurar por esse país?

Eu sei que pode até parecer exagero ou até falta de conhecimento, mas fato é que é impossível pensar em Irlanda do Norte sem lembrar dos muitos atentados assumidos pelo IRA.

Antes de começarmos o tour político, eu pedi pro guia pra conhecer o Stormont, que é sede do Parlamento da Irlanda do Norte. Como esperado, não dava pra visitar, mas o guardinha deixou nos entrarmos ali só pra dar uma voltinha.

Mas o que tem mesmo atraído muitos turistas ultimamente ao país, além das suas belezas naturais na costa norte, são os tours políticos. O fanátismo dos católicos e protestantes irlandeses que lá vivem, tanto pela sua cultura, sua identidade, como pela religião e politica já vem de tempos.

E nesse “tour político” podemos ver justamente um pouco disso tudo, que muitas vezes impressiona e muitas outras vezes dá medo. Pra quem acha que só Berlim teve o seu muro de separação, Belfast também tem o seu. E a unica “diferença” entre eles, é que muro em Belfast ainda está lá, todinho em pé, separando os católicos dos protestantes. Mas a richa entre eles não engloba somente a religião, existem outros fatores como os sociais, políticos e econômicos.

E essa história é antiiiiiga. Tudo começou durante o século 13, onde o Rei Henrique II teve a brilhante idéia de anexar a Ilha da Irlanda (como um todo) ao Reino Unido. Os Irlandeses não gostaram nada dessa história e lutaram bravamente por durante muito tempo. Mas a idéia que o Rei tinha, era a de que tanto Escoceses, Ingleses e Galeses fossem atraidos através de boas ofertas de trabalho e povoassem a ilha vizinha.

Mas o Rei esqueceu que os Irlandeses eram católicos e ao promover essa migração, o britânicos que pra lá resolvessem ir, seriam maioria protestantes. Mas esse não era ainda o grande problema, o maior problema viria algum tempo depois, com o desenvolvimento e industrialização da Irlanda do Norte, enquanto a região onde fica a Irlanda ainda estava essencialmente agricola, sem progressos. Assim, os animos entre as duas regiões Irlanda do Norte (maioria protestante) e Irlanda (maioria católica) estavam ficando cada vez mais tensas.

Depois de um intenso confronto entre as duas regiões, chegou-se a conclusão que seria melhor separar a ilha, de um lado a Irlanda do Norte, que ainda continuaria fazendo parte do Reino Unido mas de forma autonoma com o seu próprio parlamento, enquanto que a Irlanda seria um país independente.

O número de protestantes que vieram da Grã-Bretanha, através do incentivo do governo, se tornaram maioria na região onde hoje é a Irlanda do Norte, e isso fez com que as lutas entre os católicos e nacionalistas (IRA) contra os protestantes e unionistas continuasse por alguns anos.

Tudo iniciava com manifestos nas ruas onde os católicos, insatisfeitos, queriam mais direitos, e por fim, terminavam se confrontando com os protestantes. E esses confrontos  eram tão violentos, que além de muitas pessoas feriadas, começaram a ficar bem frequentes as mortes também.

E os murais que vemos ao longo do muro, retratam justamente essa raiva, revolta e indignação de um lado e que era revidado pelo outro lado. Além do muro, algumas (muitas) casas também tem pinturas em suas paredes retratando um pouco dos conflitos.

Depois dessa breve explicação pra eu me situar um pouco sobre a história de mais de 40 anos dos “Troubles”  o guia me disse que passariamos pela Shankill Road onde fica a maior concentração de protestantes, mas que começariamos o tour pelo Solidarity Wall, seguindo para a Fall Road, reduto dos católicos.

Chegando lá, ao ver aquele muro, não muito alto naquela parte, mas que tinha ainda mais as cercas no alto, fiquei impressionada que ele realmente ainda existia! Essa parte do muro em particular, estavam alguns murais onde era possivel ver que outras regiões do planeta eram solidárias a essa causa, ou seja, estavam passando pela mesma situação, como os Bascos na Espanha, por exemplo.

Conforme fomos entrando naquela região, é impossível não ficar inconformada com os conflitos e mortes que aconteceram ali, e muitas coisas que o guia ia contando, eu ficava me perguntando: “pq tudo isso?”. É dificil pra nós brasileiros, que nunca passamos por isso, entender esse tipo de coisa, não é mesmo?

Conforme a gente vai percorrendo as ruas, dá pra perceber que o muro não é em linha reta e muito menos é apenas um pedacinho de muro que ficou ali pra contar história. O muro,acreditem ou não, é chamado de “Peace Line” e realmente é enoooorme (mais de 27 km de comprimento), são muitos e muitos quilomentros, em algumas partes existem portões que permitem o transito durante o dia, mas que a noite são fechado para evitar maiores problemas. E como se não bastasse o muro por si só pra lembrar de toda a desgraça que aconteceu por ali, ainda tem alguns memoriais que vemos ao longo do caminho, muito triste!

Ainda no lado católico, nossa próxima parada foi em frente a um dos murais mais importantes para os católicos irlandeses, o que homenageia Bobby Sands, um voluntário do IRA e membro do parlamento britânico que morreu durante uma greve de fome na prisão. Ele buscava a reintegração da Irlanda do Norte a Ilha da Irlanda. Essa foi uma das histórias mais turbulentas e comoventes que o guia me contou.

Atravessamos um dos muitos portões e fomos parar no lado protestante de Belfast. Ali, o guia me disse pra não sair tirando foto de tudo como uma louca, e quando eu quisesse tirar uma foto era pra perguntar pra ele antes. Ok! Na duvida, eu é que não ia me arriscar por causa de uma foto, né?

A gente desceu do táxi e começamos a caminhar pelo bairro, que além dos murais, ainda tinha muitas casas pintadas com cenas que lembravam os conflitos, como por exemplo a parede dessa casa onde Oliver Cromwell fala contra a Igreja Católica…

Existem muitos murais como esse que fazem referencia a Associação de Defesa do Ulster (outro forma que a Irlanda do Norte é chamada, em referencia a região formada pelos 6 condados que foram o país atualmente)..

Em outra casa, o desenho na parede retrata o acordo de paz estabelecido através do Acordo da Sexta-feira Santa, onde no lado protestante, nessa pintura tem a imagem de uma Igreja Católica, e que obviamente, ao nos virarmos em direção ao lado católico vemos as suas torres de longe. Esses são os primeiros sinais de que eles realmente estavam dispostos a “mudar”!!

Existem duas formas de fazer esse tour, a pé ou de táxi. Se resolver encarar a pé (o que não acho muito aconselhavel) tem mapas pela internet que mostram o melhor caminho a perseguir para poder ver em toda a extenção do muro as varias pinturas que contam um pouco da história de conflito vivido no país a algumas decadas atrás.

Pra mim, a melhor opção foi reservar um tour de táxi. Esses táxis não são táxis normais que simplesmente pegamos na rua. São empresas especializadas, que pra deixar o tour mais atrativo, usam um típico táxi inglês durante o passeio. Eu reservei com a empresa Belfast City Tours e quanto ao valor, depende muito de quantas pessoas são, até 2 pessoas 10,00 libras e de 3 a 5 pessoas, fica um pouco mais barato, mas não lembro ao certo quanto era. No total o tour dura um pouco menos de 2 horas.

O tour com essa empresa é ótimo, e o guia deu uma verdadeira aula de história (e ainda bem que ele falava bem devagar, assim consegui enteder muito bem hehehe)! Uma vez em Belfast, esse tour não pode ficar de fora do roteiro. Recomendadíssimo!

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Day Trip com Empresa de Turismo na Inglaterra

Para fazer o chamado “Day Trip” contratamos uma empresa de turismo na Inglaterra. Motivo? Enquanto eu estava organizando a viagem, busquei informações sobre trens, as empresas de trens, relatos de outras pessoas (conhecidas ou não) que tivessem ido nos mesmos lugares que nos gostaríamos de visitar e como chegaram lá.. e não achei nenhuma informação muito direta. Como era nossa primeira viagem internacional em família (e aconteceu em 2008), achamos melhor não arriscar de pegar o trem errado, ir parar numa outra cidade ou sei lá… então pagamos um pouco mais por pessoa e tivemos a comodidade em ter os horários “mais flexíveis” para visitar os lugares e ainda como “bônus” um guia (formado em história!!!!) e não simplesmente um “motorista”.

o guia

Agendamos tudo por email com uma empresa que achei no site oficial de turismo da cidade de Londres. Então ficou definido o seguinte:

– em um dia fomos para Windsor, Stonehenge e Bath;

– outro dia em Warwick, Stratford-upon-Avon e Oxford;

– e pegamos mais um dia pra fazer um tour nos lugares mais longes em Londres: Greenwich, no Estádio de Wembley, Tour no Estádio do Chelsea (Stamford Bridge) e na Abbey Road (onde fica o Estúdio onde os Beatles gravaram alguns de seus albúns e onde tiraram a foto do 12º albúm, também chamado Abbey Road).

a estrada em perfeitas condições

Então, com tudo confirmado, roteiro decidido e pagamento feito.. Os tours começaram todos os dias as 08:00 a.m.

Ovelhas no caminho pra Oxford

O nosso guia e motorista era o John, um senhor formado em história e que sabia tuuuuudo sobre a interessante história do Reino Unido. Além de nos contar coisas sobre o dia-a-dia, o pensamento dos ingleses com relação a monarquia e/ou com relação aos outros países que fazem parte do Reino Unido, nos deu algumas dicas de restaurantes, pubs, jogos, lugares pra visitar tanto em Londres como no restante do país.

A van

A van era uma Mercedes Benz Viano, com ar-condicionado e com direito a uma garrafinha de água pra cada um!!!

Entendendo o Reino Unido

O Reino Unido sempre foi uma “confusão”. Vários países, várias bandeiras, vários primeiros-ministros, uma Rainha e um monte de coisa pra entender. Então quando resolvemos viajar pra lá, me obriguei a ler e entender como o esquema por  lá funciona.

O nome oficial do país é Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte ou em inglês United Kingdom of Great Britain and Northern Ireland, até ai tudo certo! Mas pq as vezes usam somente Grã-Bretanha? Bom, a Grã-Bretanha é a ilha maior…  formada por Inglaterra, Escócia e País de Gales! A Irlanda do Norte fica na outra ilha, na ilha que divide com a República da Irlanda. E assim, a Grã-Bretanha (ilha) + Irlanda do Norte formam o Reino Unido!

Além desses quatro países membros, o Reino Unido tem mais 14 territórios ultramarinos espalhados pelo mundo.

Cada país tem uma organização territorial diferente, onde na Inglaterra, o país é dividido em 9 regiões, na Escócia são 32 áreas de conselho, já o País de Gales é dividido em 22 áreas de autoridades unitárias e a Irlanda do Norte tem 26 distritos.

Quanto as bandeiras, cada país membro tem sua bandeira oficial e a mais conhecida de todas é a Union Flag mas também é chamada de Union Jack, que é formada pelas bandeiras da Inglaterra (chamada de St. George’s Cross, pois St George é o Santo Padroeiro do país) , Escócia (St. Andrew’s Cross, onde St. Andrew é o Santo Padroeiro da Escócia) e Irlanda do Norte (St. Patrick’s Cross, já que St Patrick é o Santo Padroeiro da ilha da Irlanda inteira, não somente da Irlanda do Norte).

A única que não aparece é bandeira do País de Gales, pq o país só foi conquistado e anexado ao Reino Unido após a definição da bandeira que conhecemos atualmente.

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