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Cruzeiro no navio Empress – Informações práticas

por Raul Bartolamei

Eu e minha namorada e mais três casais de amigos resolvemos encarar um cruzeiro, algo diferente do que estamos acostumados a fazer. Como somente um desses meus amigos havia feito um cruzeiro até então, praticamente tudo era novidade pra nos.

Nos queriamos algo pratico pra aproveitar bem esses dias de folga, foi então que resolvemos que fariamos um cruzeiro de sete dias (nem tão rápido, mas nada muito curto demais), com tudo incluso, tanto comida e bebida eram liberadas nas dependencias públicas do navio (digo isso, pq o room service na cabine seria pago).

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O roteiro desse cruzeiro em especifico era:

Saida de Itajaí-SC, um dia de navegação, 1 dia em Montevideu, 1 dia em Buenos Aires, 2 dias de navegação, 1 dia em Santos e por fim, mais 1 dia para o retorno até Itajaí. O trajeto foi feito com o Navio Empress da Pullmantur, com capacidade para 1.853 passageiros.

Pra quem pensa em fazer um cruzeiro pelo Brasil e América do Sul (Uruguai e Argentina) a temporada começa em novembro e vai até metade do mês de abril.

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Nosso cruzeiro envolvia destino tanto no Brasil como em países do Mercosul (Uruguai e Argentina), então a documentação que pode ser apresentada nesse caso são: carteira de identidade (com data de emissão menor do que 10 anos) ou passaporte. O melhor mesmo, pra não ter problema, é apresentar o passaporte, por dois motivos: ele vence a cada cinco anos, então os dados e fotos sempre vão estar atualizados e pra quem apresentar o passaporte, um formulário a menos será preenchido para entrar no navio.

O embarque desse nosso cruzeiro foi feito em Itajaí, aqui em Santa Catarina. O porto de Itajaí é relativamente pequeno, apenas um pavilhão atende um navio por dia. Na chegada, um policial militar pediu para ver nossos documentos (passaporte) e o voucher do cruzeiro, só assim para que ele liberasse nossa entrada nessa área.

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O processo de check-in e o despacho das malas é feito praticamente tudo junto. Primeiro, despachamos nossas malas. Os atendentes nos direcionam a deixar as bagagens em uma área reservada, onde devemos etiquetar nossas malas com o número de nossas cabines (que já estava definida no voucher) e deixar ali pra que as nossas malas sejam transportadas para dentro do navio. A unica coisa que achei que poderia melhorar nesse sentido é que, eles não dão nenhum comprovante que nossas malas foram de fato despachadas. Não temos opção, ou deixamoas as malas ali mesmo assim, ou elas não embarcam.

O próximo passo é assinar o contrato. Esse contrato pre estabelece como será a nossa vida dentro do navio em relação a alguns quesitos:

– primeiro precisamos definir se queremos utilizar o nosso cartão de crédito como “garantidora” de nossas futuras dividas no navio, como comprar qualquer coisa dentro do navio. Nos resolvemos aceitar.

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– em seguida, pra quem escolheu apresentar como documento a carteira de identidade, deve ser preenchido o outro formulário exigido pelo navio. Já aviso que é melhor levar o passaporte, pq como a muvuca de pessoas é enorme por ali, preencher esse documento extra nessa hora vai ser um serviço a mais que ninguém vai querer, acredite.

– ao acabar de preencher todo o contrato, ganhamos uma senha com um número e uma cor. Essa senha vai ser importante guardar, pois é ela que determina quando seremos chamados pra terminar o processo de check-in. Poucos minutos depois, nossa senha foi chamada e foi nessa hora que tivemos que entregar o contrato preenchido e foi também nessa hora que tivemos que cadastrar nosso “cartão de identidade no navio”.

– Esse “cartão de identidade do navio” é um dos documentos mais importantes que carregamos durante o cruzeiro, ou seja, ele sera a nossa identificação tanto dentro como fora do navio. Explico: ao aceitar cadastrar nossos cartões de creditos como “garantidora” de futuras dividas, é esse cartão que vai ser utilizado quando quisermos comprar alguma coisa tanto no free shop, no bar (somente os drinks que fazem parte da carta premium) ou room service (almoço, lanche ou janta servidos na cabine).

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– É também nessa hora que nossos passaportes ficam retidos com a administração do navio. Então, nossa identificação será também esse “cartão de identidade do navio” tanto dentro do próprio navio, quanto no desembarque em Montevideu, Buenos Aires e Santos.

– Como na minha cabine estavamos eu e minha namorada, nesse momento, eles também pedem se o cartão de credito (visa, master ou american express) garante somente as tuas dividas ou a da pessoa que está hospedada na mesma cabine que você. Se o cartão de credito garantir a divida dos dois, todo o gasto vai ser gerado em apenas um extrato só, agora se cada um quiser ter o seu proprio controle, será necessário o cartão de credito da outra pessoa para garantir a divida dela também.

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Depois do processo de check-in terminar, é só aguardar o embarque. O processo de embarque é feito através da mesma senha que recebemos anteriormente, onde é chamado senha por senha, cor por cor, onde nesse caso a cor só define se a pessoa é preferencial para o embarque (como idosos, pessoas com alguma deficiencia física, etc) ou não.

Quando chegamos no deck 04 onde estava nossa cabine, nossas malas já estavam no corredor, enfrente a porta do quarto, assim como todas as outras dos demais passageiros.

A nossa cabine não era grande, mas também não era minuscula. Tinha um tamanho digamos de suficiente para duas pessoas ficarem hospedados tranquilamente por sete dias. O banheiro sim era muito pequeno, o box era minusculo, bem apertado mesmo.

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O navio Empress não é muito grande, se não me engano, ele é um dos menores que fazem a costa latina. Esse fato tem suas vantagens e desvantagens, como por exemplo, uma grande vantagem é que o número de pessoas é menor, logo é mais fácil se deslocar e se achar dentro do navio, já uma grande desvantagem é que, se o mar estivesse muito agitado, certamente iriamos sentir mais as marolas.

No geral, quanto mais alto o deck (andar) escolhido melhor vão ser as suas cabines. O principal destaque das cabines que ficam nos decks 7 e 8 vão ser o seu espaço, os quartos vão ser maiores algo em torno de  10 a 20 m² do que as cabines que ficam nos decks 3 e 4 por exemplo. Na minha opinião, só vale pagar a mais para ficar nas cabines maiores se a intenção for ficar grande parte do tempo dentro do quarto mesmo, lendo livros ou querendo desfrutar de uma privacidade maior. Nos ficamos nas cabines do deck 4 e não nos arrependemos da escolha, já que é quase impossível ficar no quarto o tempo todo com a quantidade de coisas que podemos fazer no navio pra passar o tempo.

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O navio Empress tem três restaurantes (sendo que um desses restaurantes é pago e outro funciona 24 horas). Então, a melhor opção era frequentar o restaurante 24 hroas, já que eles iam trocando o cardapio de acordo com o horário, como de manhã era servido o café da manhã, logo na sequência o almoço, a tarde os lanches e a noite o jantar. Dentro do restaurante 24 horas ainda tinha uma pizzaria e nem preciso dizer que era um dos lugares mais movimentados de todo o navio.

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E o navio ainda tem mais um restaurante, chamado Miramar. Esse restaurante funciona num esquema um pouco diferente dos outros. Então, na hora do check-in, recebemos o número de uma mesa e o horario para a nosssa janta, no nosso caso o horário estabelecido era 21:30. Então, se caso resolvessemos jantar nesse restaurante, nos deveriamos chegar entre 21:30 e 22:00. Esse restaurante servia os pratos a moda francesa, então ao receber o cardápio, entre todas as opções oferecidas (4 tipos de entradas, 4 tipos de pratos principais  e 4 tipos de sobremesa, onde 1 dessas opções eram pratos pra vegetarianos). O garçon também nos avisou que se caso quisessemos repetir algum prato era permitido sem nenhum problema, assim como, se caso não gostassemos de algum prato escolhido poderiamos trocá-lo a qualquer momento. No café da manhã e no almoço não existe esse esquema de horário pré-estabelecido para cada passageiro, mas o horário de abertura e fechamento é definido sim.

Uma das coisas que gostamos bastante nesse navio era o fato de não ser exigido nenhuma formalidade quanto aos trajes usados. Era tudo bem casual (era permitido usar bermda, camiseta e chinelo, sem nenhum problema), dentro de um certo limite de bom senso, claro (não era permitido fazer nenhuma refeição sem camisa, por exemplo). Até mesmo no Evento do Comandante, onde a tradição diz para que as pessoas se vistam com algo mais formal, nesse navio não era levado tão a sério.

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Quanto a parte de “diversão”, o navio conta com 1 piscina, 4 jacuzzis, diversos bares, ambientes para jogar baralho, ponto de internet (cobrado e bem caro – mais de 40,00 dolares/hora), 2 salões de espetaculos (sendo um deles um teatro e o outro com apenas um palco), cassino (tem jogos de todos os tipos, como caça niqueis, poquer, 21, roleta), free shop (dividido em uma loja que vende óculos e relógios, outra que vende souvenirs em geral, uma de bebida e uma só com jóias), fliperama, academia (muito bem equipada).

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Obs. 1: O cassino e o free shop só abrem quando o navio estiver em águas internacionais, devido a legislação brasileira coibir essa prática dentro do território nacional.

Obs. 2: Dentro do navio não se usa dinheiro, porem podemos pagar e receber no Cassino em dolar, no restante do navio tudo é creditado no nosso “cartão de identidade do navio”.

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Obs.: 3: Os preços não são tão baratos quanto em um free shop de aeroporto internacional, por exemplo, mas também não são tão caros como no Brasil. Com certeza vale a pena comprar relógios e óculos, pois o restante é apenas uma questão mais de conveniência e oportunidade.

Existe também outras atividades programadas. Na noite anterior, o pessoal deixa um folheto embaixo da porta de cada cabine com a programação de atividades hora por hora para o próximo dia, o que facilita bastante programar o que vamos fazer cada dia. Existem muitas opções para as crianças também, como por exemplo brincadeiras, gincanas, entre outros.  Então, atividades e opções pra passar o tempo realmente não faltaram!

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Os passeios em Montevideu, Buenos Aires e Santos podiam ser feitos de 2 maneiras:

– a primeira opção: gratuita, onde cada um vai por conta e se desloca do porto até o centro de cada cidade de taxi ou transporte público. Normalmente esse tipo de passeio é por conta e risco do passageiro, já que se ele não conseguir chegar no horário pré determinado pra voltar ao navio, ninguém vai ficar esperando por ele. Isso mesmo! Parece um pouco absurdo, mas eles te deixam sem documentos, sem roupas, enfim, sem nada. Por isso é importante respeitar o horário limite para chegar no porto, sem duvida. Obs.: normalmente essas pessoas descem antes dos demais passageiros que contrataram um tour dentro do navio.

– a segunda opção: contratar um tour dentro do navio. Essa opção não é muito barata e dependendo da cidade há mais de uma opção de tour oferecido. A vantagem nesse caso (pagar mais caro teoricamente sempre tem alguma vantagem) é que se caso alguma coisa aconteça, eles te dão a garantia de que o navio vai esperar o grupo voltar.

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Em Buenos Aires tinhamos 3 tipos de tour disponíveis: um city tour normal (com descida em quase todos os pontos para visitação e fotos), o city tour panoramico (que não para e ninguém desce do ônibus) e o city tour panoramico com show de tango (pra quem nunca viu um show de tango na vida, esse tour seria o mais recomendado).

Já em Montevideu foi oferecido 2 tipos de tours: city tour Montevideo (com parada nos principais pontos turisticos para visitar e bater fotos) e o city tour Punta del Este (onde o ônibus vai até essa cidade e para em quase todos os pontos para visitar e bater fotos).

E em Santos, havia somente o city tour Santos, com paradas em quase todos os pontos para visitação e fotos.

Buenos Aires

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Pra quem não embarcou/desembarcou em Itajaí como foi o nosso caso, não era permitido comprar nenhum tour, mas pra quem embarcou em outras localidades era possível. Os tours oferecidos eram: city tour Balneário Camboriu e o city tour Blumenau, ambos com paradas em quase todos os pontos turisticos mais importantes.

O idioma falado dentro do navio é o português, apesar de terem mais de 37 países relacionados na nacionalidade dos 600 tripulantes. Todos eles falam um português relativamente entendivel. Todas os tripulantes (fossem garçons ou camareiras) que conversamos foram sempre muito atenciosos e simpáticos.

Montevideu

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E finalmente chega o ultimo dia do cruzeiro. É na madrugada desse dia que é enviado pra nossa cabine o extrato de tudo o compramos no navio. Durante o ultimo dia, é anunciado nos alto falantes o momento pra fazer o pagamento (pra quem for pagar em dinheiro vivo) e também é anunciado a devolução do passaporte.

Para efetuar o pagamento tempos duas opções: pagar em dinheiro vivo o valor dessa fatura no navio mesmo (com um prazo estipulado para fazer esse pagamento) ou a divida pode ser automaticamente parcelada em 5 vezes e debitada no nosso cartão de credito (o navio fica de posse dos nossos dados do cartão de crédito como garantia).

Obs.: Quem optar por pagar em dinheiro vivo, o navio aceita apenas reais ou dolares, porem pagar em reais pode não ser muito vantajoso, já que quem estabelece a conversão é o próprio navio.

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E por ultimo, mas não menos importante é a questão dos enjoos. Eu particularmente não fiquei enjoado, mas a sensação dentro do navio balançando 24 horas por dia é um pouco ruim sim. Não é muito agradavel, com certeza, mas essa sensação estranha durou apenas nas primeiras 30 a 36 horas. Já minha namorada passou mal alguns dias, mas nada que atrapalhasse muito nossa rotina, a não ser pelo sono extra que o dramin causava nela. Claro que existem diversas coisas que são possíveis de se fazer para evitar o enjoo, mas nenhum cumpre 100% o desejado. Já ouvi várias histórias de pessoas que nunca tiveram nenhum problema ao andar de lancha, jet ski, barquinhos que nunca tinham passado mal, mas dentro do navio a coisa é bem diferente.

O ideal para marinheiros de primeira viagem (como nós) é fazer um cruzeiro com uma quantidade de dias menor pra ter uma idéia de como o corpo vai reagir as marolas e tal. De inicio, um cruzeiro de 3 ou 4 dias já vai dar uma idéia se vai ser um prazer estar em um navio ou uma tortura!

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