Utilidade: Viajando sozinha pela Europa

Intercâmbio fechado. Tudo certo pra ir passar uma temporada na Escócia. Preparativos a mil. Programações de viagens pra aproveitar ao máximo os finais de semana também. Isso até chegar o momento de comprar a primeira passagem aérea.

Foi nesse momento que me dei conta de um detalhe: Será que é seguro uma mulher viajar sozinha na Europa? E depois disso a lista de questionamentos que me fazia só aumentou… Será que eu teria algum problema com relação a isso? Como seria enfrentar a imigração nos outros países? Como seria passear sozinha pelo leste europeu (Polônia, Rep Tcheca)? E na Islândia? E em Montenegro? E na Bósnia??? Sim, eu fui até na Bósnia sozinha!

A resposta é unanime: foi muito tranquilo! Muito tranquilo mesmo!

Vendo o por do sol em Zadar, na Croácia

Vendo o por do sol em Zadar, na Croácia

Claro que pra que as coisas de fato fossem sempre assim eu tive que tomar algumas providências, como: organizar muito bem o roteiro de cada viagem (principalmente a questão dos transportes), elevar o meu grau de alerta, não dar bobeira, evitar ao máximo me meter em confusão e saber me virar e agir rápido caso eu enfrentasse algum problema (como quando passei mal e quase desmaiei no meio de uma estação de metro em Atenas!).

Na primeira viagem… Ok, vou ser bem sincera, nas três  ou quatro primeiras viagens eu sempre ficava super hiper master mega nervosa. Eu sofro de ansiedade (ninguém merece!), então passava a semana toda pilhada e na vespera nem conseguia dormir direito e tudo isso pq? Pq eu sempre ficava repassando se ia dar tudo certo com a reserva do hotel, se com o check-in, se o voo ia sair (o tempo em Edimburgo é uma desgraça, como todos já sabem!), como seria a imigração nos outros países (e se eu caisse em alguma pegadinha?)… E ainda.. na primeira viagem tive que tomar cuidado com os liquidos e coisas que ia levar na minha mochila… e por aí vai.

Pensa que é fácil se aventurar sozinha pela primeira vez por esse mundão? Até eu “cair na estrada”, de fato, tudo isso era realmente muito “complicado”. Mas aos poucos a gente se acostuma e já nem dá mais bola. Pra ter uma idéia, eu costumava chegar com 3 horas de antecedência no aeroporto de Edimburgo, mesmo com o check-in já feito, com a passagem impressa e sem precisar despachar bagagem. É, vai entender.

Então aqui vão algumas questões que acho que é interessante pensar a respeito antes de viajar sozinha por aí..

– Aeroporto

Todo mundo que vai estudar na Europa sonha em viajar com as famosas cias aéreas de baixo custo. As opções de empresas e destinos são enormes. É de enlouquecer. Uma vez cheguei a dizer aqui em casa que precisaria passar uns 20 anos estudando inglês só pra poder viajar pra todos os lugares que eu queria conhecer nos finais de semana!

Mas pq é importante prestar atenção nos aeroportos? Pq algumas cias aéreas utilizam aeroportos secundários, que na grande maioria das vezes ficam super longe do centro da cidade.

Então por exemplo, Estocolmo, a cidade é servida por dois aeroportos, o Skavsta e o Arlanda. Qual deles é o mais bem localizado? Pois é. Tudo exige muita pesquisa, não dá pra simplesmente comprar a primeira passagem baratex que a gente vê por aí.  Pq por exempo, dependendo do horário que o voo sair ou chegar (geralmente as cias de baixo custo tem ofertas melhores nos voos logo cedo ou nos bem tarde), pode ser que os transportes públicos tenham horários reduzidos e muitas vezes, no inverno por exemplo, a neve atrasa ou até cancela trens ou ônibus. E ai, o que fazer? Não que seja perigoso dormir no aeroporto ou até mesmo se arriscar a pegar um outro tipo de transporte público alternativo, mas é preciso ter cuidado, principalmente se alguma coisa dessas acontecer durante a noite.

Almoçando no Yo!Sushi no Terminal 3 do aeroporto de Heathrow

Almoçando no Yo!Sushi no Terminal 3 do aeroporto de Heathrow

– Hospedagem

Eu sempre procurei me hospedar em hotéis e sempre analisei muito bem a localização de todos eles. Não queria ter que voltar pro hotel, por exemplo em Atenas as 17:00 horas pq as manifestações contra o governo poderiam me intimidar e não me deixariam aproveitar pra sair jantar fora.

Quando não era possivel pegar um hotel numa localização super central, eu ao menos tomava o cuidado em pegar um hotel bem próximo a uma estação de trem (duas ou três quadas de distância no máximo) pra poder ir a pé sem nenhum problema.

– Dinheiro

Minhas viagens de final de semana eram sempre assim: eu viajava na sexta a tarde e voltava no domingo a noite. Então, pra passar dois dias longe de casa, eu não precisava levar uma fortuna em dinheiro.

Assim, em cada viagem que fiz, a primeira coisa que tinha que me certificar era qual é a moeda do país de destino que eu ia visitar ( qual a moeda usada na Noruega? E na Polônia? E na Estônia?). Muitas vezes (sempre que possível) eu já trocava euros pela moeda do outro país lá mesmo no centro de Edimburgo e raras vezes troquei lá no aeroporto (as conversões não eram muito vantajosas).

Também tomava o cuidado de sempre levar junto comigo, além de dinheiro na moeda local e mais uns 100,00 euros extra, só pra garantir), um cartão de crédito e o VTM. O outro cartão de credito (eu tinha 2 cartões), por segurança, eu deixava em Edimburgo. Vai que alguém me assaltasse e levasse todos os meus cartões? Não é bom nem pensar numa numa coisa dessas.

Na bolsa eu levava uma parte do dinheiro e um cartão de crédito. Geralmente o VTM (que tinha pouco dinheiro pra sacar) eu deixava na mala/mochila no hotel assim como uma outra parte do dinheiro. Ainda tomava o cuidado de sempre separar o dinheiro, um pouco na bolsa e outra parte na calça jeans.

Isso não é novidade pra ninguém, mas é que se alguma coisa acontecer (um assalto, roubo ou até mesmo perder a bolsa).. Onde eu iria conseguir outros cartões de crédito rapidamente? A gente tem que pensar em tudo!

Musical Let It be, em Londres

Musical Let It be, em Londres

– Restaurantes, pubs, shows, musicais e peças de teatro

Sempre que possível, sempre fazia questão de jantar fora, de ir em pubs com os meus colegas do curso de inglês, de assitir musicais, shows ou peças de teatro.

Em Edimburgo, nunca tive nenhum problema em voltar pra casa depois de qualquer um desses programas. Sempre voltava sozinha e a pé. E olha que eu morava a uns 20 – 25 minutos a pé da Grassmarket e uns 30 minutos da Rose Street, por exemplo. Nunca passei por nenhuma situação que me deixasse com medo. Nunca ninguém me abordou. Nada. Se a cidade é super segura ou se foi pura sorte, eu não sei dizer exatamente. Mas Edimburgo sempre teve fama de ser muito segura nesse sentido.

Um dos lugares que eu mais tava com medo de fazer qualquer coisa que fosse durante a noite era nos países do Leste Europeu e na Croácia. Tanto que na Polônia não jantei fora nenhuma vez, sempre ia direto pro hotel depois dos passeios. O mesmo eu pensava em fazer na Croácia, mas não foi preciso. Achei tanto Split como Dubrovnik bem tranquilas a noite e não tive nenhum problema. Claro que nunca abusei de ficar até super tarde na rua, então até no máximo 23:00 eu já tava de volta pro hotel.

– Transporte público

Exceto em Londres e nos países escandinavos, nunca me aventurei a andar em transporte público tarde da noite (tipo, depois das 23:00). Nem tanto por medo nas estações ou por estar em um onibus ou vagão de metro com meia duzia de pessoas, mas sim, pq eu tava sozinha. E se alguém resolvesse me seguir no trajeto do metro até o hotel? Ah sei lá, né! É sempre bom pensar o que fazer.

Na verdade, em todas as viagens que fiz durante o intercâmbio, a única vez que passei medo foi no metro em Paris. Isso pq um cara que, olha só a coincidência, me pediu uma info na noite anterior dentro do metro, me “encontrou” no outro dia por acaso na estação de metro de La Defense. Por sorte, eu percebi que ele tava me seguindo e fiquei de olho. Logo que ele percebeu que eu tava ligada, em questão de uns 20 minutos ele desapareceu. Depois desse dia, eu sempre fiquei muito mais alerta!

uma das várias viagens que fiz de avião entre Londres e Edimburgo

uma das várias viagens que fiz de avião entre Londres e Edimburgo

– Fotografias

Pode parecer paranoia, mas eu sempre desconfio de alguém que venha me pedir: “Vc quer que eu bata uma foto tua?” hehehehe Eu nunca aceitava entregar minha máquina quando alguém se oferecesse pra isso. Até eu comprar o tripé, eu sempre tinha que pedir pra alguém bater foto de mim, mas sempre eu escolhia a dedo pra quem eu iria entregar minha camera.

Já pensou se o cara que pediu se eu queria que ele batessse a minha foto saisse correndo e levasse todas as minhas fotos? Meu deus! Acho que eu ia morrer, literalmente.

Então, ao logo das viagens eu desenvolvi uma tática de sempre pedir pra alguma pessoa de uma familia bater foto de mim. Sei lá, sempre achei que era mais seguro assim. Ia ser mais dificil todo mundo sair correndo enquanto eu me arrumava pra que a foto fosse batida, né?

– Conversar com estranhos

Quem não gosta de puxar papo com outra pessoa enquanto tá na fila pra entrar no museu? Ou pra usar o banheiro? Ou pra comprar um sorvete? Geralmente a gente sempre tende a conversar com alguém, certo? Eu não vejo nenhum problema nisso.

Eu sempre conversei ou puxei convesa quando achei necessário. Mas acho importante ter cuidado ao revelar informações. Algumas vezes, uma simples pergunta meio idiota pode ser uma “resposta valiosa” pra ter “problemas” futuramente.

Lembro uma vez, que vi uma mulher sendo observada por dois caras que se faziam sinais. Eu percebi que um deles tava indo pra abordar ela (não sei até hoje se ele ia pedir informação ou se ia assaltar) e resolvi meio que continuar andando e pedir as horas pra ela. Os caras se olharam e não fizeram nada. Fui uma situação estranha, não era nada diretamente comigo, mas só de estar sempre alerta, talvez tenha ajudado essa mulher, sem ela nem sequer perceber ou ainda, a “vitima” poderia ter sido muito bem eu, né?

As vezes, é preciso partir!

As vezes, é preciso partir!

–  E pra finalizar…

Se alguém achou que eu escrevi esse post pra desanimar, eu digo que a intenção foi bem ao contrário. Até pq eu nunca tive nenhum problema. Claro que desenvolvi um certo grau de paranóia e to sempre em alerta, mas ao menos posso dizer que sempre deu tudo certo até agora.

E tudo deu tão certo, que vou dizer que viajar sozinho pode ter suas vantagens. Quer ver?

– Flexibilidade: Tava no roteiro fazer tal coisa mais de ultima hora não quer ir? Não tem problema. Quantas vezes eu mudei, troquei, inverti ou não fui simplesmente pq eu tava ou não tava afim de fazer.

– Ritmo:  O museu tá interessante? Ao invés de ficar 2 horas quer ficar o dia todo? Pq não? É só querer, não é necessário convencer e muito menos implorar pra que mais alguém queira fazer a mesma coisa.

– Confiança: depois da quarta ou quinta viagem a gente fica muito mais confiante. Já sabe lidar com alguns perrengues. O fato de observar, ler, conversar com outras pessoas sobre experiências de viagem já nos dão uma boa vantagem em muita coisa.

– Esperteza: Aposto que depois de 4 ou 5 viagens sozinho todo mundo fica mais esperto. É muito dificil dar bobeira. É muito dificil por exemplo cair no golpe das tiazinhas que vem com uma aliança na mão pedindo se por caso ela não é sua… Ah, a gente aprende a ser cuidadoso, a se organizar e a se policiar o tempo todo involuntáriamente.

No começo eu achei que não ia me acostumar a viajar sozinha por conta da minha ansiedade e da mania de ficar repassando tudo mentalmente com medo de esquecer alguma coisa (tipo.. to no ônibus indo pro aeroporto e cadê meu passaporte?). Eu sempre costumava deixar todas essas tralhas obrigatórias de viagem em um unico lugar lá no meu apto de Edimburgo: na mochila. Só tirava as roupas sujas, o resto ficava lá dentro ou ao menos no mesmo armário.

E por fim, as pessoas sempre me perguntam se eu me sentia solitária enquanto tava viajando. Não, nunca! Era tanta coisa pra me preocupar, tanta coisa pra ver, conhecer, visitar, que mal tinha tempo de parar pra comer, quanto mais pra pensar: “ahhh, que podre essa viagem, não tenho ninguém pra conversar”.

Claro que eu sentia falta de ter alguém pra mostar alguma coisa ou dar risada de alguma situação engraçada, mas isso também nunca foi motivo relevante pra me fazer sequer pensar em deixar de ir a qualquer lugar do mundo por eu não ter uma companhia.

Acredite, eu mesma descobri que eu adoro viajar comigo mesma assim, na prática!

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About Bruna Bartolamei

Depois de morar por quase 2 anos em Edimburgo, na Escócia e ter viajado por mais de 32 países, estou de volta ao Brasil com muitas histórias pra contar!

2 responses to “Utilidade: Viajando sozinha pela Europa”

  1. Gilmara says :

    Muito bom o post!!!

  2. Fernanda Scafi says :

    O que eu mais gosto de viajar sozinha é justamente poder esticar ou encurtar uma visita, mudar de planos etc sem ter que convencer + ninguém!! É mais fácil decidir onde comer e comprar e para os momentos de solidão, nada melhor do que um livro! (pode ser o guia do local mesmo!) Esse post me deu um saudade de viajar sozinha!! Parei pra pensar e já fez 6 anos da última vez!!!

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