Berna: a “desconhecida” capital da Suíça

Até hoje muitas pessoas ainda fazem confusão sobre qual é a capital da Suíça. Não, a capital da Suíça não é Zurique. A capital da Suíça é Berna. Uma capital que tem menos habitantes que a cidade onde eu nasci em SC, são apenas 135 mil habitantes. É uma capital super pacata, eu diria!

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Berna fica na parte alemã quase divisa com a parte francesa do país, tem uma localização estratégica, bem no meio do país, sendo assim, é muito fácil se deslocar a partir de lá pra qualquer outra cidade da Suíça. Nós estavamos hospedados em Zurique, de onde um day trip é totalmente possível. Apenas 130 km separam as duas cidades e esse trajeto pode ser feito de trem em apenas 50 minutos. Muito tranquilo!

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Partindo da Estação Central de Trem de Berna até os demais pontos turísticos da cidade, como as distâncias são relativamente curtas, é totalmente possível conhecer a cidade a pé.

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A grande maioria das atrações estão localizadas no seu Centro Histórico, declarado Patrimônio Cultural Mundial pela Unesco, que é totalmente circundado pelo belíssimo rio Aare, com cor verde-esmeralda, que dá todo um charme especial a cidade.

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O Centro Histórico tem caracteristicas únicas que mantem o ar medieval da cidade, como por exemplo, a grande maioria das suas construções são feitas de arenito, pelas suas ruelas passam somente bondinhos e pedestres e outro grande destaque são os seus muitos e muitos chafarizes ou fontes.

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Outra coisa que também chama bastante atenção são as Arcadas, que poderiamos definir como sendo uma calçada coberta, que permite que as pessoas percorram toda a sua extensão formada por diversas lojas (de roupa, souvenirs e até restaurantes) sem se importarem muito com o clima.

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A nossa primeira parada foi na Torre da Prisão, que além de ter sido construida para servir como prisão, foi um dos portões de acesso ao centro antigo da cidade, mas também já serviu como sede politica do país. Atualmente tem algumas exposições relacinadas a questões políticas da Suíça. Nós não entramos pra conhecer, apesar da entrada ser gratuita.

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Logo em frente encontramos a Torre do Relógio, um dos pontos turísticos mais importantes da cidade. O relógio astronômico foi construído ainda em 1530 e desde então, é o principal relógio da cidade. Pra quem tiver interesse, assim como o relógio astronômico de Praga, no de Berna também é possível ver um “showzinho” que começa uns 3 ou 4 minutos antes de completar cada hora cheia.

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Berna também ficou conhecida por ter sido a cidade onde morou Albert Einstein entre os anos de 1902 e 1909. Com isso, atualmente é possível visitar a casa onde ele morou e também uma exibição permanente dentro do Museu Histórico de Berna, que conta um pouco sobre a sua vida e de suas descobertas cientificas. Infelizmente a Casa Albert Einstein estava fechada para reformas, então só foi possível visitar o Museu Albert Einstein.

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Einstein não era suíço, ele nasceu na cidadezinha de Ulm, localizada no sul da Alemanha. Se mudou pra Berna no inicio do século 20 e junto com ele, toda a sua familia foi também. Foi durante esses anos em que morou na Suíça que ele apresentou para o mundo a Teoria da Relatividade.

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Pra quem resolver conhecer o Museu Histórico de Berna, um outro grande destaque é a construção externa do museu, que parece um castelinho, isso sem falar nos seus jardins, que quando nos estivemos ainda era outono e a paisagem estava muito bonita!

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Voltando a caminhar pelo Centro Antigo de Berna, atravessamos a cidade até chegar no Rosengarten, um jardim que recebeu esse nome por ter mais de 200 tipos de rosas plantadas ali. O jardim está localizado em um lugar estratégico, no alto de uma colina de onde se tem as melhores vistas de toda a capital da Suíça.

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Não tem como não se impressionar com a cor do rio Aare e ainda com as árvores ganhando as cores do outono. Não chegamos a caminhar por ali, apenas sentamos pra fazer um lanche rápido e descansar um pouco.

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Muito próximo do Rosengarten, nas margens do rio Aare, fica o Bären Park, onde é possível ver um dos maiores símbolos de Berna, os ursos. Um dos melhores lugares pra observar os ursinhos é da ponte Nydeggbrücke. Geralmente eles estão dormindo ou comendo. Infelizmente só podemos ver os ursos de longe, mas mesmo assim vale o passeio. Eles são a coisa mais bonitinha desse mundo!

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Ainda tivemos tempo de conhecer outro grande símbolo da cidade, a Catedral de Berna (Berner Münster), uma das catedrais mais importantes do país. Seu estilo gótico tardio é inconfundível. Seu tamanho impressiona. A catedral demorou mais de cem anos pra ficar pronta, pois vários fatores como doenças e guerras sempre atrasaram a sua construção.

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O grande destaque da Catedral fica no lado externo, logo acima da sua porta principal: um painel que representa o dia do Juízo Final. Realmente é uma obra belíssima! O trabalho foi muito bem feito mesmo.

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Ainda pra quem não se contentou em ver Berna do alto da colina onde está o Rosengarten, é possível subir até no topo da torre da Catedral. A subida é feita por escadas (são mais de 200 degraus). Nos resolvemos não encarar esse desafio, mas imagino que a vista lá do alto deve valer o sacrificio. A visita a Catedral é gratuita, mas para subir na torre tem que pagar.

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E pra terminar nosso dia em Berna, eu consegui reservar um tour para visitar o Parlamento Suíço (Bundeshaus).

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Berna passou a ser capital e sede do Parlamento em 1848 e o principal motivação foi a sua localização, bem no meio do país. Na verdade, esse prédio tinha sido construído pra ser um monumento nacional, mas devido a sua grandiosidade, ficou resolvido que ele seria transformado em parlamento.

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O prédio tem uma arquitetura externa bem clássica e muito bonita e a decoração interna também não fica devendo em nada. Infelizmente não é possível bater fotos e nem fazer videos por questão de segurança, mas pra quem tiver curiosidade em conhecer melhor o Parlamento, é só clicar aqui. O tour é gratuito, mas é preciso reservar lugar através desse email parlamentsbesuche@parl.admin.ch. É possível escolher os tour em alemão, francês, italiano, inglês e espanhol. Claro que os tours em inglês e alemão são mais frequentes, então é sempre bom ficar ligado e reservar com pelo menos uma semana de antecedência, pq a procura de uns tempos pra cá tem sido muito alta.

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Os tours acontecem de segunda a sábado, mas sempre quando não tiver seção no parlamento. Pra garantir é bom dar uma olhada no site e verificar as datas disponiveis direitinho.

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É necessário chegar com pelo menos 20 minutos de antecedência da hora marcada, pra retirar os tickets, fazer o cadastro pra pegar o crachá e por fim, ainda precisamos deixar nossos passaportes no controle de segurança (que serão devolvidos no final do tour). A entrada pro tour acontece através do Visitors’ Entrance Hall.

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Após passar pelo controle de segurança, somos orientados a deixar nossas bolsas e mochilas em um guarda-volumes. Ai é só esperar o guia chamar. O tour dura aproximadamente 1 hora e sinceramente? A gente nem vê o tempo passar. A história do país é intessantíssima e ainda tivemos muita sorte de pegar um guia que mandou muito bem nas explicações!

Basicamente o que podemos visitar é: o hall principal, as salas de debates e o lobby hall. A maior parte da visita a gente fica no hall principal do Parlamento, bem onde está a sua cúpula central. A decoração é riquíssima, cada estátua, cada detalhe ou simbolo tem uma explicação.

Foto retirada do site Schweizer Parlament

Foto retirada do site Schweizer Parlament

A parte interna do parlamento é praticamente toda feita de marmore vindos da Itália. No hall principal existem duas grandes escadas que nos levam as salas de debates e ao lobby.

Junto as escadarias, existem estátuas que representam os quatro idiomas oficiais do país: alemão (60%), francês, italiano e o romanche (0,6%).

Além disso, outra obra que chama atenção são as três estátuas masculinas que unidas juntaram forças pra criar a Confederação Helvética (Suíça).

Foto retirada do site Schweizer Parlament

Foto retirada do site Schweizer Parlament

Mas o grande destaque fica pra cúpula central do Parlamento. No centro, uma bandeira da Suiça e ao seu redor, um vitral composto pelos brasões de cada cantão que formam o país (exceto o Cantão de Jura, que ainda não existia quando o vitral tinha sido feito).

Foto retirada do site Schweizer Parlament

Foto retirada do site Schweizer Parlament

Outras explicações importantes que recebemos ao longo da visita nas outras alas, foram:

– A Confederação Helvética foi fundada em 1148. Atualmente, a Suíça é formada por 23 cantões e 3 semi-cantões. Grande parte do modelo político e legislativo do país foram inspirados no modelo dos Estados Unidos, onde cada cantão tem autonomia.

 – O parlamento da Suíça é formado por duas camaras, a National Council  e a Council of States. Ambas as camaras tem o mesmo poder.  Os 200 representantes eleitos que fazem parte do National Council são eleitos pelo povo através de um sistema de representação proporcional, já os 46 membros do Council of States representam os cantões, sendo que 20 cantões tem 2 representantes e os outros 6 cantões tem apenas 1 representante. Os mandados de todos esses politicos são de quatro anos;

National Council - Foto retirada do site Schweizer Parlament

National Council – Foto retirada do site Schweizer Parlament

– Uma coisa que me chamou atenção é que todos os políticos do National Council são obrigados a ter conhecimento dos três principais idiomas oficiais do país, os representantes de cada cantão (da parte alemão, parte francesa e parte italiana) tem que se comunicar entre si sem ajuda de um tradutor. Já os politicos que representam o Council of States podem ter tradutores. É mole?

– Uma outra coisa que achei bem interessante foi o sistema de votação: são todas manuais! No National Council as leis são colocadas em votação e quem concorda apenas levanta a mão, assim todo mundo fica sabendo no que cada politico votou. A contagem é toda manual e é feita por duas pessoas (pra ver se a contagem bate). Isso que é transparência! E no Council of States cada mesa tem dois botões (a favor ou contra e outro pra confirmar o voto), onde ambos precisam ser apertados juntos pra que o voto seja válido. Essa técnica evita que quando o colega politico da cadeira ao lado tivesse faltado a votação, os seus vizinhos não votassem por ele.

Council of States - Foto retirada do site Schweizer Parlament

Council of States – Foto retirada do site Schweizer Parlament

– Além disso, os representantes das duas camaras se reunem apenas quando necessário para votar alguma alteração em um lei especifica, beeem diferente do que acontece aqui no Brasil;

– E pra terminar, outra coisa que achei interessante é que nenhum político tem um escritório e milhões de funcionários a sua disposição. Os funcionários são contratados do Parlamento e esses mesmos funcionários trabalham para todos os políticos. Achei essa idéia incrível! Brasil precisaria adotar isso djá!

Lobby Hall - Foto retirada do site Schweizer Parlament

Lobby Hall – Foto retirada do site Schweizer Parlament

Ah, quando a bandeira estiver hasteada no alto do domo central, é pq está tendo seção no Parlamento.

E foi assim que terminou o nosso dia em Berna, com uma aula de democrácia e transparência que me deixou literalmente de queixo caido!

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About Bruna Bartolamei

Depois de morar por quase 2 anos em Edimburgo, na Escócia e ter viajado por mais de 32 países, estou de volta ao Brasil com muitas histórias pra contar!

2 responses to “Berna: a “desconhecida” capital da Suíça”

  1. Fernanda says :

    Olá Bruna,
    Pretendo fazer um mini tour por Berna, seguindo suas dicas. Tirando a visita ao Parlamento, vamos conhecer só por fora mesmo. Sei que isso depende muito do ritmo de cada pessoa, mas quanto tempo vc acha legal reservar para este roteiro? Obrigada,
    Fernanda

    • Bruna Bartolamei says :

      Oi, Fernanda!

      Você pretende visitar mais algum lugar junto com Berna? Nos conhecemos Berna em um dia e fomos até lá partindo de Zurique. Um dia é o ideal pra conhecer bem a cidade e com calma.

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